sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Alguns dias sobre ladeiras





A espera dessas pedras antigas
pelos meus pés modernos.
Ou o inverso.
Dois mistérios...
A construção e a e a pintura
na altura desses tetos.
Isso intriga e impressiona,
bem mais que o ouro
que as vezes é tanto que afronta.
O muito é pouco. O que demonstra?
As igrejas feitas pelos e para os escravos
onde apenas o suor e a criatividade foram gastos.


Foto: Ouro Preto - 24/01/2008.

Chove no desde e sobe




Capa e guarda-chuva
em um sobe e desce
que enriquece a vista
a mesma que não vê TV
nem para as previsões
do metereologista.


Foto: Entardecer em Tiradeentes - 26/01/2009.

Em Minas...

Na ausência de uma poesia escrita, posto então uma fotográfica:


Ouro Preto - 24 de Janeiro de 2009.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Simpli-ficando




Esmaltes descascados para ilustrar o descaso. Ilustração insensata proferida por uma pessoa de igual adjetivo. A beleza reside no acaso do ser enquanto se é. A simplicidade até se pinta, mas porque quer. Não porque querem ou assim esperam. Afinal faz mais sentido simplificar o viver dessa forma, fazer apenas o que pra si importa.

Foto: Rui Pires

domingo, 18 de janeiro de 2009

Sabor pelos olhos




Há um gosto gasto
num rosto sem lábios.

Sabor pelos olhos
com cada cor
dando um tom
insensato de acordo
com o que seria de fato.

E logo depois um choro,
um dissabor desbotado.


Obra: "Mulher com uma flor" - Picasso.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Paredes de vento




Contento-me em estar
entre paredes de vento.
Cimento é pra quem
pensa que o bem está
em um fixo enquadramento.

O movimento é o sentido
para tudo. Tanto fora, como dentro.
Não importa a direção ou o motivo.
É isso que difere o que apodrece
do que está vivo.


Foto: João Luis Amaral Martins

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Sal e Sol




Algas passeiam pelos meus pés através dessa água que salga e que dá sabor aos dias. Janeiro geralmente tem desse gosto, um salgado molhado tão raro em outros meses. Fevereiro talvez. Março com suas famosas águas do céu e sem sal começa a aguar tudo. Um poético prenúncio do resto do ano ou uma solução espetacular daquele que tudo criou para termos dias úteis por essa Cidade. Afinal de contas, não teria como tê-los, pelo menos de forma decente, com convites diários e irrecusáveis por um mergulho de boca no sal.

Foto: Maio de 2007 - Vila dos Pescadores - Copacabana - Rio de Janeiro.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Tinta cinza




Uma pincelada de tinta
cinza na nuvem branca
ainda linda
e com a esperança
de serem apenas
poucas gotas.
...
Remova-as para que não chova!


Foto: da minha janela (07-01-09)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Risos (a diferença entre os meus e os seus)




Seu riso foi dispensável,
mas ainda sim, o meu
respondeu tão amável.
O provável motivo
é porque não vivo
consumindo o descartável.
O material em questão: Amor.
Uso e rio. E até abuso
quando preciso,
como nessa situação
que acabo de expor.


Foto: Wendy Vatanabe

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Sopros de beleza




Em cima de duas rodas
por infinitas rotas
vôo enquanto
a beleza assopra.

O sopro é tanto
que me questiono
por quanto?

Venta a resposta:
Sobra e não cobra.


Foto: Aterro - 05-08.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

1º e Rio - de Janeiro




Tanto o primeiro
quanto o Centro do Rio
- ambos de Janeiro -
estão agora submersos no vazio
daquilo que os torna cheio
no resto do ano inteiro.


Foto: 1º de Janeiro de 2009 - Carioca.

Em-barca




Na calmaria da barca
embarco farta
da água fria
jogada sem modos
em uma alegria quente.

Apenas gostaria
de ter brilhado contente
como os fogos
presentes efêmeros
em um céu tão imponente.


Foto: "Flor ou fogos de artifício?" - Eduardo Heitor Amaral Lemos

sábado, 27 de dezembro de 2008

O piscar do fim de mais um ano




O piscar das luzes de Natal não cansam em alertar meus olhos que mais um ano chega ao fim. Logo duas coisas tornam-se inevitáveis: a reflexão sobre este e a procura por uma agenda para o próximo.

A questão da agenda foi resolvida em uma ida “rápida” à papelaria pouco antes do Natal. O dilema “essa ou aquela?” demorou cerca de uma hora. Já a reflexão sobre o ano que ainda respira, embora ofegante, se desenrola há dias. O começo está em um rascunho em letras de beleza duvidosa. Mas de que foi um bom ano para mim, disso não tenho menor dúvida. Infelizmente o mesmo não pode ser dito sobre aqueles com quem possuo convivência diária, principalmente para os responsáveis por eu estar aqui nesse mundo.

Entre descobertas e infantilidades, fui obrigada a assistir o que já me recusava há tempos: uma novela. Infelizmente real, e envolvendo os que me geraram. O curioso é não haver mocinha, vilão e final, nem mesmo infeliz. Embora infelicidade é o não falte nessa história que continua a se desenrolar no quarto ao lado.

A primeira metade do ano também foi um tanto complicada para aquele com quem compartilho todas as minhas receitas vegetarianas. O medo das mudanças, até mesmo as previsíveis, faz mal para qualquer um. Mas como ser qualquer um é o que ele não é, foi impressionante vê-lo transformar o que seria ruim em bom. E assim assisti a outra metade do seu ano ser bastante doce, exatamente como os corações de abóbora com que fui presenteada por ele certa vez.

Apesar dos três personagens dos fatos descritos acima sejam bem próximos, confesso que minha rotina e humor não foram muito alterados com tais acontecimentos. Não é egoísmo, é uma indiferença necessária para a manutenção da paz interior. Entretanto, ser indiferente não foi possível quando tive encarar minha “questa” com a saúde debilitada, já com o ano pra terminar, exatamente no dia seguinte em que entrei de férias na faculdade. Ver aquela que era, e continua sendo, sinônimo de força e coragem, necessitando de ajuda para executar coisas simples, como andar e levantar da cadeira, não foi nada fácil. Meu emocional despedaçou-se. A tristeza tranformou-se em mau humor e cansaço físico. Felizmente, com todas as providências tomadas, e muito pensamento positivo (também chamado de fé por alguns), sua saúde e todo o resto começa agora a voltar ao normal. Inclusive o melhor presente de Natal veio dela: a própria independente em casa, sem ajuda de ninguém, durante a manhã do dia 25.

E depois de todos esses relatos, quem me lê deve-se perguntar: Onde está o "bom ano" mencionado no início do texto? Sim, particulamente e sendo até um pouco egoísta, foi bom mesmo. Arrumei meu primeiro estágio, e depois o segundo. Adquiri equipamentos fotográficos novos. Estou cada vez mais satisfeita com a faculdade. Tive minhas primeiras fotos publicadas. Ganhei meu primeiro dinheiro na profissão que escolhi. Encontrei com as minhas duas maiores amigas quase todas as semanas. Apaixonei-me ainda mais por quem já era apaixonada. Tornei-me mais fã de Novos Baianos. Eu e meu vô construímos uma cumplicidade pela qual tenho muito orgulho. Comprei muitas bolsas (sim, futilidades também proporcionam pequenas, mas que não deixam de ser alegrias). Escrevi muito (o caderninho de bolinhas acabou!). Fui à praia. Bebi muitas Itaipavas, mates com menta e Boemias. Fui diversas vezes no Bar do Zé e no Trombada. Passeei muito pelo Centro do Rio nos fins de semana. Fiz poucos, mas belos passeios por Santa Teresa. Fotografei bastante o que mais gosto: flores. Assisti filmes que me emocionaram ( um documentário sobre parto natural e outro sobre o furacão Katrina) e shows que me encantaram ( Maria Bethânia, Madeski Martin & Wood e o último da Relics). Também senti encanto ao ler o "Água Viva" da Clarice. Almoçei todas as segundas, quartas e sextas com a vovó. A Vermelissa voltou a passear por aí. Enfim, nada de espetacular, mas quem disse que a felicidade é um espetáculo? Para alguns pode até ser, mas pra mim é acordar com a cara amassada ao lado de outra cara amassada, pegar o celular pra saber das horas e constatar que tem uma chamada perdida da Vovó. Ligar e ela me dizer que está me esperando pra almoçar. É dessa forma que abro então meu sorriso mais sincero, e são desses que quero para no próximo ano, afinal neste que termina compreendi definitivamente que são nesses fatos corriqueiros que sou mais feliz.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Amém sem acento




Prezo pelo bem
Também rezo
Mas confesso
Não sou de dizer
Amém!
Fazer é o verbo
pelo qual tudo vem.
Então faço, quase não peço.
E quando peço
é pelo o que faço.
Assim até pro além
fica mais fácil.


Foto: Luiz André Mendonça Bezerra

Poesia matinal




Um mar grande
e cintilante pelo sol
é a poesia matinal
que me permiti assistir
exatamente quando
pus meus chinelos
ainda me questionando
sobre o inverno
que um teto faz existir.


Foto: Praia do Flamengo - Dezembro de 2008.