quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Quadrados e caixas de papel




Alguns precisam
de quadrados
para estarem dentro.
Enquadrados
é mais fácil ser
mesmo não sendo.

Outros precisam
de caixas
para estarem dentro.
Encaixados
é mais fácil ter
mesmo não tendo.


Foto: WEB

Folhas secas




Galhos cansam
e as folhas caem.
Pesadas tornam-se
mesmo leves sendo.
O peso é a dança
que fazem os ventos.
E no chão secam
com a cor marrom
do tempo.


Foto: Bar do Zé/ Setembro de 2007

domingo, 25 de novembro de 2007

Um dos pretéritos




Um pretérito.
Perfeito ou
imperfeito?
Indigesto
pela ausência
de gestos.
Metros são
a existência
de um apego?
Escolheu ir
para o deserto
cedo.
Lá o céu é aberto
mas o chão
é seco.
Sem poças
não há reflexos
do sol.
Escolha sem nexo
e contando em ter
por perto espelhos.
Espertos são os que vão
para uma floresta
de trevos
de quatro folhas
em segredo.


Foto: Praça José de Alencar / 15-11-07

sábado, 24 de novembro de 2007

Largo do Machado 02-11-07




Por de trás das orquídeas



Por de trás das orquídeas 2



Pôr do sol com charafiz.



Pombos até nas nuvens


sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Corrida




A vida anda
corrida.
Cansa e causa
fadiga.
Falta horas
no dia
para a arte
ócia e vadia
da minha poesia.


Ilustração: O coelho de Alice no País das Maravilhas de um ótimo blogg.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Fresta ou completa




Até a lua
não se oferece
sempre completa.
As vezes é fresta
As vezes é inteira
Mas nem por isso
deixa de ser
verdadeira.
Lua sempre ela é.
E nunca é feia.
Sempre perfeita.


Foto: Lua Nova em 04-04-03

Vultos




Aceleração
do músculo
do coração
ao ver o vulto
do que já fez parte
ironicamente
desse pedaço
de sua carne.

Sente e mente
para a mente
sobre o passado
que passa em frente?

Ou é um estrago
do imaginário
fértil que se desprende
do fato em si?

Independe a resposta.
Pertinentes são as perguntas.
Elas mostram como o nunca
não pertence a lógica
do que era para ser
para sempre.


sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Desimportâncias




Não adianta agora
as chaves que abrem
as portas do amanhã.

A demora do tempo nunca é vã.

Não adianta estradas
ao alcance
se não levam adiante.

A importância sempre é importante.

Não adianta perguntas
com respostas
únicas e óbvias.

A subjetividade é que desabrocha.

Não adianta água
para aqueles
que não sentem sede.

A necessidade de proteção constrói paredes.

Não adianta fuga
para os presos
e para os próprios erros.

Fugitivos se acham no espelho.


Ilustração: WEB

Minha rápida passagem por SP

"E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vende outro sonho
Feliz de cidade
Aprende depressa
A chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso
Do avesso do avesso..." (Sampa - Caetano Veloso)


Foto de uma foto ( Por Psychofun)



Uma pato fã assistindo ao Pafo Fu!



Cordas e Nós.



Lilly ou a voz de um despejo.



Dos pés às...



cabeças!



Caminho para a Noite de Núpcias.


quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Novas nuances auditivas




Nuances
nunca notadas antes
nas notas óbvias
por isso desinteressantes
para ouvidos grandes
porém ignorantes.


Figura: WEB

Sem cortinas




A instabilidade
invade a rotina
assim como o sol
em um quarto
onde as janelas
não possuem cortinas.
Esqueceu de colocar
pensando ser apenas enfeite?
Aceite a utilidade delas
na proteção de sonhos.


Foto: WEB ( autor não achado)

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Dois verões




A letra é lida
entre tarefas e reflexões
descabidas.

Couberam por conseqüência
de escolhas
e distrações escondidas.

Esconderam e encolheram
os embriões cheios de vida
de seus corações.

Falta de coragem?
Especulações seriam bobagens
após dois verões.


Ilustração: Estudo do arqueólogo boliviano Poznansky há 17 mil anos sobre a relação entre o nascer e por do sol com as estações do ano. O sol, no verão e no inverno nascia diretamente em cima das pedras angulares de um templo em Tiwanaku.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Uma ausência = uma ausente


A ausência faz uma ausente.
A pele tornou-se transparente
enquanto segue as setas
que apontam para si própria.
Caminha em linha reta
e consegue sair de órbita.
Gosta e espera mais voltas.

Foto: WEB

A imaginação é uma lupa



A culpa é uma ampliação
da moral minúscula
pela lupa da imaginação
inútil e fecunda.


Figura: WEB

Não nasceram com e perderam-se(m)




Desconheço o motivo pelo qual
minhas melhores palavras
são destinadas para os que cedo
perderam o fio da meada.

Acharam um caminho fácil
ou uma carona enganada.
Perderam-se em si próprios
ou em uma casa sem nada.

Todas as alternativas acima
estão corretas e produzem facas.
Todas tolas tentativas de cortar
verdades.

Então a crença na imensa mentira
de serem o que não são
e de terem o que não tem.

O brilho é intrínseco, nasce.
O bem é construído, mas perde-se.
Não nasceram, e construíram apenas a própria perda.


Foto: WEB.