Inocente não fui. Sou. Acreditei nas sementes. Foi o único jeito de manter crescente a esperança por árvores. Até hoje, nada delas... Apenas grama sem fim depois de tanta espera.
Ando distante. Os prazos a cumprir tomam meu tempo. Logo esqueço de tomar a poesia líquida e fresca que nunca deixam meus dias áridos. Estou com sede e como sinto. Muito sinto mesmo. Com a língua seca perco paladar. Não sei ao certo o que açúcar e o que é sal. Com a falta de gosto não se vive bem. Na verdade se vive bem mal. Porém há vida após os prazos.
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Será mesmo que todos os veículos de médio e grande porte são rastreados por satélites?
manhã gelada chocolate quente a lã agasalha a preguiça insistente a cama nem indaga o porquê de eu estar tão aderente a culpa é da chuva que cai persistente ela apenas entende e atende meu desejo de paz ou de sossego tanto faz...
Era um rio com um fio de água e devagar. Na verdade um riacho. Não havia nele nenhuma perspectiva de desaguar. Mas no percurso, perdeu-se do curso. Correu por outras terras. Novas fontes e águas. O riacho encorpou-se. Agora, de verdade um rio, prestes a desaguar no mar. Na verdade oceano. O muito é invadido pelo pouco. Na verdade o pouco também é muito. Então até o muito se torna muito, mas muito maior. E assim poucos e muitos vão gerando outros muitos. Muitos...
O corpo dói. A mente também. Com isso os dias doem e eu me nego, a princípio, aos analgésicos. Mas como? No desespero tomo. Remédios, como o próprio nome sugere, apenas remediam. Um grande engano para meu desanimo de igual tamanho. Se fosse um engano menor, não enganaria o suficiente. Tenho a certeza de estar bem e saio. A chuva fina causada pela frente fria é o que encontro. O que me leva logo a reencontrar com a tosse e o cansaço. O casaco não me cobre o bastante. Tento disfarçar a minha mente enquanto volto para casa. E na proteção das paredes e do cobertor concluo que ao me enganar nunca me protejo. Apenas torno-me mais vulnerável.
o melhor meio não é optar pelo meio a linha pela qual melhor se caminha é do contorno estar dentro é in(tenso) e fóbico não há vento e nem sopro o soco é um cumprimento dócil o cheiro bom é do esgoto ... o centro é sempre duro como caroço
Qual a utilidade de uma cabeça de alfinete? Espetar maldades? Segurar incertezas? Mas deixe que mate a sua vontade frustrada de ser agulha. Afinal, só está última espeta, mas depois costura.
"Que estou fazendo a te escrever? estou tentando fotografar o perfume."
"Escrevo-te este fac-símile de livro, o livro de quem não sabe escrever; mas é que no domínio mais leve da fala quase não sei falar. Sobretudo falar-te por escrito, eu que me habituei a que fosses a audiência, embora distraída, de minha voz." (Água Viva - Clarice Lispecor)