A impaciência é o princípio da desistência. É um fio esticado, prestes a arrebentar. É a febre deixando de ser delírio. A volta de um viajante para seu lar. Um novo início, em um velho lugar. O querido filho, agora um andarilho, sem o brilho inocente do aprender a andar. O capricho de fazer as mesmas coisas, mas com o cuidado em ser devagar.
As mãos sacodem os dados e estes rolam ao acaso. Fazem então descaso com um desejo definido de resultado. Um blefe ou um aviso de alguém que está além das nuvens e dos abrigos chamados altares.
A descrença é pior que doença É a morte. Sofrimento sem a menor esperança. O corte, por mais profundo, quem sabe ou a sorte, estanca. Sem pulso o que resta é um culto para o que está longe desconhecendo-se a distância.
CANDI diz: quem sabe ou a sorte CANDI diz: o q vc quer dizer com isso? Mi diz: quem sabe = pessoa que sabe (verbo saber) enfrentar os problemas da vida, no caso as doenças Mi diz: sorte = fatos q não estão no nosso controle Mi diz: mas nos ajudam a estancar o corte, ou seja, enfrentar as doenças CANDI diz: hum Mi diz: entendeu? Mi diz: ou seja Mi diz: o corte será estancado Mi diz: ou pela gente, ou pelo acaso Mi diz: mas estanca Mi diz: mas depois q morremos, ou seja, depois q perdemos a esperança Mi diz: fudeu! CANDI diz: hahaha
A causa da falta de gosto é na verdade a náusea se o passado fosse exposto. Enjôos e vômitos em cima de sonhos que tornaram-se foscos. O medo ofusca ou apaga qualquer forma de brilho, da néon ao fogo. A possibilidade de erro o fez ser básico e estático. Reprime todos os desejos por considerar o próprio choro um crime contra ele mesmo. Um novo tolo!
Ilustração: Homem vomitando, imagem do Tacuinum Sanitatis, século XIV
O curioso é oco mas consegue apodrecer mesmo sem conter madeira. Apodrece então nas beiras. E como tudo é pouco em pouco tempo tudo torna-se podre. E a tinta que o cobre, não resolve. A podridão é esnobe mesmo de beleza sendo pobre.
Me perdi em seus sonhos sóbria e nos meus, achei-me embriagada. As ruas pareciam ser ilusórias mas no fim da vertigem o que formavam labirintos tornaram-se fáceis caminhos para alguém sem história e responsável pelo próximo destino.
O inspirador trás dor para o outro que não pira. É oco do novo ou é fosco diante do que brilha distante e sem trilha. É do povo a maravilha brilhante que voa com o assopro do moço louco que cria.
I Estende a mão quando interessa. Não sente, necessita e tornar-se perversa. Não compreende a vida, e faz dela, um jogo de garantias através de um poço escuro de estratégias.
II A lentidão fora de controle das minhas mãos que carregam flores como forma de protesto sem nomear os opositores.
O cimento que constrói seus prédios são ventos para meus olhos. Mas cada construção que conta, comemoro! E minha comemoração torna-se um lamento seu, afinal a minha alegria pela sua é como ignoro-te sem propósito.
Assopra as nuvens cinzas e sem forma dos seus retratos na gaveta guardados. Antes que sujem as obras reais e brancas agora enquadradas pela moldura da janela do quarto.
Já não merece uma linha que seja. O que almeja não é mais beleza para meus olhos, hoje secos, depois de tanto rega-los. As nossas estrelas possuem brilhos diferentes. Uma lâmpada te serve, enquanto quero a verdade do céu.
"Que estou fazendo a te escrever? estou tentando fotografar o perfume."
"Escrevo-te este fac-símile de livro, o livro de quem não sabe escrever; mas é que no domínio mais leve da fala quase não sei falar. Sobretudo falar-te por escrito, eu que me habituei a que fosses a audiência, embora distraída, de minha voz." (Água Viva - Clarice Lispecor)